Brasil cai 4 posições no ranking que avalia a força das marcas-país dos principais países do mundo. -


A FutureBrand acaba de divulgar a oitava edição do FutureBrand Country Index 2019, que avalia a relevância das marcas das 75 maiores nações no mundo.

Os países são comumente avaliados por métricas ligadas ao “poder”, como PIB, população e área. Mas, nos dias de hoje, marcados por transformações sociais, culturais e tecnológicas cada vez mais rápidas, esses critérios ainda fazem sentido como forma de avaliar os países. O estudo propõe outro olhar.

Os países foram avaliados a partir de um conjunto de dimensões ligadas, sobretudo, ao propósito e à experiência proporcionada por eles.


Para o estudo, foram entrevistadas 2.500 pessoas com ampla experiência internacional em 17 países (no Brasil, foram feitas 192 entrevistas). Cada entrevistado respondeu a perguntas sobre 7 países (exceto o seu), resultando em uma média de 230 respostas por país. Além disso, foi considerada também uma análise qualitativa sobre as temáticas discutidas em torno das marcas de cada país nas redes sociais.

Revelando as forças e as fragilidades de cada país, o relatório da FutureBrand é uma ferramenta que direciona os esforços de gestão ao mesmo tempo em que lhes confere assertividade, possibilitando, assim, a melhoria da percepção global de países interessados em fomentar investimento, negócios e turismo.

Sistema de Valores, Qualidade de Vida, Potencial Empresarial, Patrimônio e Cultura, Turismo, Produtos e Serviços são as 6 dimensões avaliadas pelo estudo da FutureBrand. Cada dimensão é composta por um grupo de atributos específicos. Quanto melhor a avaliação do país em cada um desses critérios, melhor é a sua posição no ranking.

Os países com as marcas mais fortes do mundo
O Japão é o país com a melhor reputação… de novo. Pela segunda vez, aparece em primeiro lugar no ranking das marcas mais bem avaliadas. O país se destaca na dimensão Potencial de Negócios — que considera altos índices nos atributos avanço tecnológico, infraestrutura e perspectiva de vida.

Noruega e Suíça se juntam ao Japão na dimensão Qualidade de Vida, ocupando o segundo e o terceiro lugar do ranking. Entre os três países, o que mais se destaca nesse quesito é a Suíça. A Noruega se destaca na dimensãoSistema de Valores, que avalia os níveis de tolerância, liberdade política e compromisso com o meio ambiente.

Suécia e Finlândia ocupam, respectivamente, o quarto e o quinto lugar no ranking. Ambos os países também se destacam na dimensão Qualidade de Vida, sendo bem avaliados nos critérios saúde, educação e segurança.

Alemanha, Dinamarca, Canadá, Áustria e Luxemburgo, nesta ordem, completam a lista das nações com as 10 melhores marcas do mundo.

América Latina
A marca melhor avaliada entre os países da região é a Argentina, que, apesar de subir 6 posições no ranking, é só a 36ª dos 75 países. O 2º país latino mais bem avaliado é o Peru, que subiu 13 posições e ocupa o 36º lugar no ranking geral. Antes do Brasil, ainda estão Chile (43º) e Panamá (46º).

Brasil
Caindo 4 posições, o Brasil é o 5º da América Latina e apenas o 47º no ranking geral, ficando bem abaixo da média dos 10 primeiros países nas 6 dimensões avaliadas. Ao compararmos com a média global, o país é superior em apenas dois critérios — turismo e patrimônio e cultura.

De todos os entrevistados, 40% consideram nosso conjunto de atrações e as opções de resort e hospedagem interessantesCerca de 46% consideram o país um bom lugar para passar as férias. Mas, em termos de custo-benefício, somos bem fracos. Nesse quesito, contamos com apenas 17% de percepções positivas.

A melhor avaliação foi para o critério belezas naturais — que continuam inspirando boas percepções. Já no outros dois critérios (relativos a história, arte, cultura e pontos históricos), a pontuação ficou abaixo da média global: na casa dos 30%.

Menos de 20% dos entrevistados consideram que o Brasil tem boa infraestrutura e condições favoráveis para fazer negócios. Cerca de 16% avaliam o país como um bom lugar para se viver. E quando o assunto é tecnologia avançada, apenas 13% possuem uma boa imagem do país.

O Brasil apresenta todos os índices muito abaixo dos países que lideram o relatório deste ano. A pior dimensão da marca Brasil é a mesma que se destaca entre os top 10. Critérios como saúde, educação e segurança têm menos de 15% das percepções positivas.

Liberdade política e compromisso com o meio ambiente também são bem percebidos por, apenas, cerca de 15% dos entrevistados. Curiosamente, o mesmo país que é altamente reconhecido por suas belezas naturais é, também, considerado um dos mais descompromissados com a preservação do meio ambiente.

Apenas 19% percebem nossos produtos e serviços como de alta qualidade. A melhor nota nesta dimensão fica por conta de produtos únicos: 26% — reflexo de um país que tem dificuldades em exportar produtos com alto valor agregado.

O estudo avaliou a percepção sobre os setores nos quais os países são especialistas. O Brasil está acima da média global nos setores moda (25%); comidas e bebidas (51%); e bebidas alcoólicas (26%).

Os níveis de confiança e estabilidade do país, contudo, são bem baixos: apenas 24%. E, quando confrontado com o momento do mundo, percebemos um grave desencontro de prioridades. Temas como sustentabilidade (24%), inovação (19%) e tecnologia (17%), que alavancam os países mais bem percebidos no Índice 2019, são, justamente, os de menor índice no caso do Brasil.

Segundo Daniel Alencar, sócio-diretor da FutureBrand São Paulo, para melhorar a percepção da marca Brasil, precisamos de iniciativas coordenadas entre diferentes setores da sociedade. Mas precisamos, sobretudo, ter clareza sobre como queremos ser percebidos, para priorizar decisões e fazer investimentos. “Apesar dos problemas, tendemos a ter uma visão otimista sobre o país. O estudo mostra quanto precisamos avançar. Investir na marca-país é fundamental não só para a economia, mas também para a evolução da sociedade”.

A marca de um país é reflexo das percepções geradas pelas interações com o país — das experiências vivenciadas às notícias veiculadas nos principais meios. Se o país quer estar entre as principais nações do mundo, é preciso criar uma agenda positiva de transformação — estrutural e social.


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