Fé sustenta esposa e mãe de migrantes afogados ao cruzar para os Estados Unidos -


Cidade do México, 28 Jun. 19 / 12:00 pm (ACI).- Em meio à dor pela morte de seu marido Óscar e de sua pequena Valeria de quase dois anos, Tania encontrou força na fé e na oração. Assim indicou o Bispo de Matamoros (México), Dom Eugenio Lira, ao Grupo ACI.

Óscar e Valeria morreram em 23 de junho, quando tentavam atravessar o Rio Grande (conhecido pelos mexicanos como Rio Bravo) na altura das cidades de Matamoros (México) e Brownsville (Estados Unidos).

Seus corpos foram encontrados a dois quilômetros de distância e as imagens de ambos, quase abraçados nas margens do Rio Grande, comoveram milhares, incluindo o Papa Francisco.


Tania presenciou tudo e foi ela quem, aos prantos, telefonou para a mãe de Óscar para avisar sobre a tragédia, na mesma tarde.

Atualmente, a mulher de 21 anos está em uma das duas casas de migrantes que a Diocese de Matamoros possui.

Em diálogo com o Grupo ACI, Dom Eugenio Lira assinalou: “Tive a oportunidade de conversar pessoalmente com ela e posso dizer que fiquei edificado por seu testemunho”.

“Ela é uma mulher de fé e que precisamente dá testemunho de que essa fé está permitindo-lhe enfrentar isso com esperança cristã”, disse.

“Ela comenta comigo sobre os momentos difíceis que viveu, de muitíssima dor. Mas como, graças a Deus, buscou na oração o consolo, a luz, a força e, para mim, falar com ela foi um grande testemunho, um testemunho de fé”, acrescentou.

Matamoros, no estado mexicano de Tamaulipas, é uma das regiões habituais de passagem para os migrantes que buscam entrar nos Estados Unidos.

Tamaulipas é também um dos estados mais violentos do México. Na lista das 50 cidades mais violentas do mundo em 2018, realizada pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Criminal A.C., sua capital, Cidade Victoria, ficou em quarto lugar.

Reynosa, um dos municípios que faz parte da Diocese de Matamoros, está na 42ª posição.

Dom Lira ressaltou que, apesar da violência, os fiéis da diocese, leigos e sacerdotes não deixaram de mostrar sua solidariedade aos migrantes.

O Prelado agradeceu o “bom exemplo e testemunho de boas pessoas, que mesmo nos momentos mais difíceis de violência nesta zona, arriscaram a sua vida, estenderam a mão para os migrantes e continuam fazendo. Graças a Deus, a violência diminuiu, não tanto em Reynosa, mas nos outros oito municípios que compõem a Diocese de Matamoros”.

O Bispo de Matamoros disse que a morte de Óscar e de sua pequena filha, assim como de muitos outros migrantes falecidos, “tem que nos levar a refletir: estamos falando de vidas humanas, de pessoas, não de números. De pessoas com sua história, com seus sonhos, suas ilusões”.

“Isso nos mostra o rosto humano do migrante”, destacou.

“Algo muito importante é descobrir no fenômeno da migração rostos e nomes, como o Papa Francisco nos convidou a fazer, porque, se não, às vezes podemos cair em ficar somente nas estatísticas, em números frios. E na realidade, são pessoas, cada uma com sua própria identidade, suas necessidades”, assinalou.

Os migrantes, explicou, são pessoas que tentam “buscar algo melhor para si mesmas ou para sua família. E que são capazes de deixar sua terra, sua casa, e lançar-se a uma aventura bastante perigosa”.

Como uma mensagem para os migrantes, Dom Lira os encorajou a descobrir “que no trajeto que fizeram desde que saíram de suas casas até o presente, assim como o do resto de sua vida, Deus sempre caminhou com eles. Ele sempre caminha conosco, não nos deixa sozinhos. E nos momentos mais difíceis nos dá a mão, inclusive através das pessoas que nos rodeiam”. 

“Eu os convidaria a ter sempre este olhar de fé, esperança que não decepciona, especialmente a grande esperança da eternidade que nos aguarda”, disse.

Ao resto da sociedade, convidou a “tomar consciência de qual mundo estamos construindo, e tentar fazer com que cada um de nós coloque o seu grãozinho de areia para construir uma cultura e uma sociedade que seja capaz de reconhecer, respeitar, promover e defender a vida, a dignidade e os direitos e também os deveres de todas as pessoas, sem excluir ninguém”.

“Precisamos disso para que ninguém se veja obrigado a deixar sua terra por causa de necessidades econômicas ou por causa da violência ou danos ecológicos, e que possam encontrar em seu lugar o que precisam para se desenvolver. E, caso tome a decisão de migrar, possa fazê-lo com todas as condições que sua dignidade humana e direitos merecem”, indicou.

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