Especialistas discutem sobre os apelos excessivos da publicidade infantil -


> As crianças, de um modo geral, têm um alto poder de absorção de qualquer
> tipo de conteúdo. Por exemplo, toda Páscoa, chovem propagandas sobre
> chocolates entre outros itens. O resultado é o consumo exagerado de doces
> que só pioram a saúde dos pequenos.
>
>
>
> Por meio de diversas técnicas, as marcas conseguem exercer um poder de
> influência muito grande em cima das crianças para que possam incentivar os
> pais a comprarem brinquedos e guloseimas. Mas quais são efeitos negativos e
> como lidar com os desejos causados pela publicidade?
>
>
>
> Para a psicóloga Livia Marques, as propagandas abusivas acarretam grandes
> influências negativas nas crianças. Ela diz que o efeito disso surge de uma
> forma muito ruim na mente delas, fazendo com que fiquem inflexíveis ao não
> e a qualquer argumento. “Tanto na TV como na internet, o conteúdo massivo
> pode causar uma fixação muito grande na mente delas”.
>
>
>
> Livia fala que os sinais de que algo está errado com o desejo de ter um
> brinquedo ou de lanchar é refletido geralmente no comportamento agressivo e
> inflexível ao pedir aos pais. “Há casos que a criança não aceita de forma
> alguma o limite que é imposto”.
>
>
>
> Para Dario Perez, professor acadêmico e especialista em publicidade e
> marketing, o problema está no fato de que muitas empresas acabam “perdendo
> a mão” em suas ações publicitárias e comentem alguns excessos. Ele comenta
> que o público infantil é extremamente sensível a qualquer tipo de técnica
> de marketing que possa ser utilizado dentro dos parâmetros de um comercial
> de TV ou na internet, por exemplo.
>
>
>
> – As crianças absorvem com muita facilidade todos os tipos de influências
> direcionadas. Mesmo as campanhas, que não possuem um bom comercial ou
> técnica apurada de publicidade, conseguem converter a venda, utilizando-se
> de uma comunicação lúdica e aspiracional, aproveitando personagens para
> gerar empatia e elevar sua credibilidade – explica.
>
>
>
> Dario diz ainda que um dos objetivos da publicidade é gerar, por meio da
> influência, a sensação de felicidade através do consumo. Dessa forma, as
> crianças falam para os pais sobre a necessidade de ter tal produto. Eles,
> por sua vez, acabam satisfazendo o desejo para a alegria dos filhos.
>
>
>
> *Como lidar*
>
> A psicóloga Livia diz que a melhor forma de proteger a família é por meio
> do diálogo. Ela comenta que é importante os pais saberem dizer não, mesmo
> quando é muito difícil. Por outro lado, é preciso mostrar o porquê do não,
> talvez pela falta de condições financeiras, se a criança já tem muitos
> brinquedos e ganhou algum recentemente ou até explicando que determinado
> lanche ou doce pode fazer mal se comer muito dele.
>
>
>
> – A conversa é fundamental. A criança também precisa saber para
> compreender e respeitar. Os responsáveis precisam entender também que a
> permissividade não pode ter espaço nessas lacunas – reforça.
>
>
>
> *Regulamentação*
>
> Para o especialista em marketing e publicidade, a regulamentação da
> publicidade infantil ainda é muito delicada no Brasil. Segundo o
> profissional, existe um projeto de lei mais rigoroso e voltado para a
> proteção da criança durante a exposição de alguma marca. Porém, ainda não
> foi aprovado. “Enquanto isso, observamos alguns efeitos colaterais, como,
> por exemplo, o alto índice de consumo de alimentos ditos como não
> saudáveis”.
>
>
>
> – Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças no Brasil estão
> com sobrepeso. Além disso, o segmento de brinquedos para crianças só
> cresce, segundo os dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de
> Brinquedos (Abrinq). Claramente isso são reflexos do poder persuasão –
> destaca.
>
>
>
> Dario diz que para que as marcas respeitem a ética, é preciso, primeiro,
> assumir sua responsabilidade no processo de influência das
> crianças. Segundo, é fundamental que as empresas sejam claras. Ou seja,
> elas devem encarar do ponto de vista educacional, mostrando os benefícios e
> os malefícios desses produtos. “Não quer dizer que é preciso fazer uma
> campanha socioeducativa. E, sim, ser mais transparente”.
>
>
>
> – Por exemplo, pode avisar que a criança não deve beber determinada bebida
> todo dia, pois pode fazer mal para a saúde. Isso vai mostrar que aquele
> produto em alto consumo pode gerar efeitos negativos – comenta.
>


Leia Também:

Anterior:

Próxima: