O clássico sem nariz em pé da Antofágica -


Nova editora encabeçada por Daniel Lameira terá clássicos apresentados por youtubers, ilustradas por grandes nomes e venda prioritária pela Amazon

Daniel Lameira, Sergio Drummond, Rafael Drummond e Luciana Frachetta | © Divulgação / Peter Wrede

Daniel Lameira, Sergio Drummond, Rafael Drummond e Luciana Frachetta | © Divulgação / Peter Wrede


Quem olha para o mercado editorial brasileiro atual pode dizer: o mar não está para peixe. E não está mesmo. Com as duas maiores redes de livraria numa profunda crise, as editoras são perfiladas numa extensa lista de credores, sem perspectiva imediata de recebimento. Ainda assim, há quem perceba oportunidades nesse cenário. Foi o caso do editor Daniel Lameira, vencedor da primeira edição do Prêmio Jovens Talentos, em 2015. Ele se juntou ao advogado e bibliófilo carioca Sergio Drummond e seu filho Rafael Drummond para fundar a Antofágica, editora que chega ao mercado no mês que vem com a missão de reeditar clássicos numa forma “ousada”.

Ilustração de Lourenço Mutarelli para Metamorfose

Ilustração de Lourenço Mutarelli para Metamorfose

As editoras Cosac & Naify, Folio e Penguin Classics Deluxe são uma inspiração para o caldo em que nasce a Antofágica, mas a proposta é justamente acrescentar-lhes algumas características do que hoje fazem a Aleph e a Darkside na interlocução com seus nichos. Para isso, a Antofágica vai convidar influenciadores digitais para apresentarem suas obras. As obras que marcam o início da Antofágica são Metamorfose (que já está em pré-venda com previsão de entrega para 5 de maio), de Kafka, que será apresentada por Otávio Albuquerque, do canal Coisas que nunca vivi (ou evitava viver); e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, por Isabela Lubrano, do canal Ler antes de morrer. Está no prelo da editora ainda Coração das trevas, de Joseph Conrad, que vai ter capa e identidade visual de Pedro Inoue.

“Quisemos trazer alguém que já sabe se comunicar para apresentar as obras. A ideia é publicar os clássicos de uma forma menos hermética e menos ‘academicista’. Com isso, a gente quer mostrar que a obra pode ser interessante para quem está acostumado a ler Young Adult, por exemplo. Queremos tirar essa barreira do caminho”, disse Lameira ao PublishNews.

Capa de Memórias póstumas de Brás Cubas

Capa de Memórias póstumas de Brás Cubas

Além da apresentação dos youtubers, os livros trazem ainda paratextos de acadêmicos ou de profissionais relacionados ao livro em si. No caso de Metamorfose, há textos de Petê Rissatti (tradutor), Lourenço Mutarelli (ilustrador) e do acadêmico Flávio Ricardo Vassoler. Já Memórias póstumas de Brás Cubas vem acompanhado de posfácio de Rogério Fernandes e um perfil de Machado de Assis escrito pelo influenciador digital Ale Santos (do Twitter Savage Fiction). Esse livro traz ilustrações esquecidas de Portinari feitas na década de 1940 para uma edição, hoje, raríssima.

A distribuição será feita prioritariamente pela Amazon e evitará a consignação. “A Amazon está sendo uma grande parceira nesse momento”, disse Lameira. “Não podemos divulgar, mas eles encomendaram uma quantidade que viabilizou a tiragem desses dois primeiros livros”, completou. A ideia é que os livros da Antofágica estejam disponíveis também em lojas físicas da Livraria da Vila e da Travessa, com quem a editora já está negociando. A ideia é que, aos poucos, aconteça uma diversificação dos canais de distribuição, mas a editora não quer abrir mão da venda firme e da venda direta, sem a intermediação de distribuidores, por exemplo.

Os livros saem simultaneamente no formato digital.

Mais do que uma editora de livros, uma criadora de conteúdos

Na conversa que teve com o PublishNews, Lameira fez questão de ressaltar que o foco da editora está no conteúdo. Um dos principais canais de aproximação da editora com o leitor será o YouTube. Diferentemente do que é feito hoje pelas editoras, o canal da Antofágica vai passar ao largo dos anúncios de lançamentos do mês e de propagandas dos próprios livros. A ideia é que seja uma referência de conteúdo sobre filmes, artes plásticas, literatura e as interações entre o clássico e do contemporâneo. O conteúdo irá ao ar quinzenalmente e vai falar dos livros lançados inclusive por outras editoras. “A editora tem que ser uma marca que respeita o leitor, e toda a nossa comunicação será um reflexo disso. Não queremos empurrar propaganda, mas criar conteúdos realmente interessantes sobre esse universo clássico, inclusive citando livros de outras editoras – e quem sabe, no futuro, até vendê-los no nosso site”, opina Luciana Fracchetta, responsável pelo conteúdo digital da nova casa.

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