Metas para tornar o Brasil um país energeticamente eficiente -


Por Julio Molinari*

O Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2018, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), pontua que em 2017, após dois anos de queda, o consumo de eletricidade no país cresceu 1,2% em relação a 2016, mantendo o Brasil entre os dez maiores consumidores do mundo. O setor industrial segue sendo o maior consumidor, com quase 36% do total, seguido do setor residencial, com 29%.

Segundo dados da Abesco, no período de 1990 a 2011, a quantidade de energia necessária para produzir uma unidade monetária de produção caiu de 1,42 para 1,28 na América Latina e Caribe. Enquanto isso, no Brasil, esse indicador subiu de 1,38 para 1,42, isto é, o país perdeu eficiência energética nos processos.


Contudo, o país tem um grande potencial de melhoria em eficiência energética. Importante ressaltar que eficiência energética não significa simplesmente evitar o racionamento, mas sim fazer mais ou a mesma tarefa com menos recursos naturais, mantendo o conforto e a qualidade. Para efetivamente tornar o Brasil um país energeticamente eficiente, há algumas metas, como digitalização, adoção compulsória de níveis mínimos de eficiência energética e inclusão da eficiência energética como item de acesso a fontes de recursos.

Digitalização, unificando e compartilhando dados de desempenho
De forma geral, a indústria brasileira não tem dados suficientes para tomar as decisões sobre investimentos em eficiência energética. A digitalização e a geração de dados para análises e pesquisas futuras permitiriam orientar os investimentos para a evolução da indústria em prol da eficiência energética.

Adoção compulsória de níveis mínimos de eficiência energética
O Brasil conta com várias iniciativas governamentais para promover a eficiência energética, como PBE, Procel, Conpet, Lei 10.295 entre outras. Contudo, a participação é voluntária. Deste modo, é fundamental promover a compulsoriedade de programas, incluindo a adoção de índices mínimos mais ambiciosos para os equipamentos e edifícios operarem mais eficientemente quanto ao consumo de energia.

Inclusão da eficiência energética como item de acesso a fontes de recursos
Estabelecer a eficiência energética como mecanismo para melhores condições de financiamento no país otimizaria a estrutura dos projetos e a percepção dos riscos ao fluxo de caixa, aperfeiçoaria o modelo de captação no mercado e reduziria a necessidade de captação externa.

A promoção do uso eficiente de energia traz impactos positivos ao longo de toda a cadeia, devendo ser uma das prioridades da política energética nacional. É fundamental um forte apoio político para garantir que o mercado atenda à velocidade e à escala necessárias. Se queremos fazer mais com menos e sermos eficientes, não podemos perder as janelas de oportunidades.

* Julio Molinari é presidente da Danfoss na América Latina


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