STATKRAFT BUSCA NEGÓCIOS EM EÓLICA E SOLAR NO BRASIL E PLANEJA TRIPLICAR CAPACIDADE DE GERAÇÃO NO PAÍS -


26. fev, 2019

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Fernando de Lapuerta_StatkraftOs laços econômicos entre Brasil e Noruega estão cada vez maiores e há potencial para ficarem ainda mais estreitos. A estatal Statkraft, com sede em Oslo, está com planos de expandir sua presença em solo brasileiro, com foco de crescimento nas fontes eólica e solar. No ano passado, a companhia comprou oito usinas e pequenas centrais hidrelétricas operacionais no Espírito Santo. Mas o apetite não parou por aí e, agora, a Statkraft procura por novas oportunidades de adquirir mais ativos já operacionais, bem como está se preparando para participar dos leilões de energia. “Não só no Brasil, mas em todo o mundo, as energias solar e eólica estão experimentando uma queda de custos continuada, se tornando mais baratas e competitivas. Nós vemos que no Brasil ainda há muita capacidade para absorver tanto a energia eólica quanto a solar. Existe um potencial muito grande e queremos trabalhar nessa linha”, afirmou o CEO da empresa no Brasil, Fernando de Lapuerta. O executivo ainda acrescenta que a meta para os próximos anos é triplicar o tamanho da capacidade de geração, hoje no patamar de 450 MW.


A empresa fez importantes aquisições em 2018. Poderia fazer um balanço desse período?

O ano de 2018 foi relevante para a companhia, como um todo. Em junho, foi anunciado uma nova estratégia da companhia, focada no crescimento, principalmente no desenvolvimento de energia eólica e solar. A Statkraft é uma empresa que tem desenvolvido a energia hidrelétrica. Temos 120 anos de existência e 20 GW de potência instalada. Dentro desses 20 GW, eu diria que entre 17 GW e 18 GW são de origem hidrelétrica. O nosso foco sempre foi hidrelétrico, mas recentemente isto mudou para o crescimento em eólica e renováveis. Dentro dos países onde a Statkraft está presente, o Brasil se destacou como um dos países prioritários.

Nesse contexto, desde junho, nós começamos a procurar oportunidades de crescimento e de aquisição. Passamos também a fortalecer o nosso time para desenvolver eólicos e solares nos próximos anos. Então, o ano de 2018 teve esse duplo foco: a aquisição de ativos operativos e desenvolvimento do time para participarmos, no futuro, dos leilões e desenvolver projetos no mercado livre. 

Porque o Brasil despertou o interesse da empresa?

O Brasil é, realmente, uma referência mundial no que diz respeito aos recursos eólico e solar, especialmente no Nordeste. Portanto, achamos que este é um ponto de partida interessante. Além disso, o mercado brasileiro encontra-se numa fase de transformação e liberalização. Neste contexto, ficamos bem confortáveis, porque temos experiência em operar em livres mercados. Achamos que, quando ocorrem muitas mudanças os desafios se apresentam, mas as grandes oportunidades também surgem para as empresas que conseguem se adaptar. Então, nesse contexto de mudanças, liberalização, foco no clientes, e peso cada vez maior no mercado livre, achamos que poderemos fazer um bom trabalho aqui no Brasil. 

Quais os investimentos previstos para 2019?

Estamos procurando comprar projetos operativos, na mesma linha que fizemos no ano passado, quando adquirimos hidrelétricas da EDP. Estamos avaliando oportunidades similares nas três tecnologias: hidrelétrica, eólica e solar. Isso na parte de aquisições. Já na área de desenvolvimento [de novos empreendimentos], nós estamos incorporando pessoas com o objetivo de já participar dos leilões de energia que vão acontecer, inicialmente, em junho e setembro.

Sobre o mercado livre, como comentado, o mercado está mudando e vemos muitas oportunidades de contratos com grandes consumidores, inclusive, o desenvolvimento de parcerias. Nós contamos com uma comercializadora operando no país há oito anos. Temos bastante conhecimento do mercado e consideramos que isto é uma vantagem competitiva. Neste contexto, focarmos o negócio para orientar o cliente à procura de oportunidades nessa linha é muito interessante também. 

Qual a previsão de crescimento de capacidade de geração no Brasil?

Realmente, nós temos um número fixo definido internamente. A mensagem que temos do grupo é que, se as oportunidades são boas, não se deve ter um limite. Mas eu diria que, nos próximos anos, queremos triplicar o tamanho, pelo menos. 

Quais são as oportunidades que a Statkraft enxerga em eólica e solar no Brasil?

Não só no Brasil, mas em todo o mundo, as energias solar e eólica estão experimentando uma queda de custos continuada, se tornando mais baratas e competitivas. Nós vemos que no Brasil ainda há muita capacidade para absorver tanto a energia eólica quanto a solar. Existe um potencial muito grande e queremos trabalhar nessa linha.

Como comentei antes, existem consumidores cada vez mais interessados pelas energias renováveis. Consumidores que, às vezes, procuram energia de forma distribuída. E, muitas vezes, querem comprar diretamente energia renovável porque faz sentido para seu negócio. Assim, queremos explorar essa linha de trabalho. Trabalhar com consumidores, participar dos leilões também, mas às vezes combinar as coisas para fazer um desenvolvimento. Lógico  que deve ser um desenvolvimento de escala. É um mercado muito competitivo. Inicialmente, aqui no Brasil, tanto para a eólica quanto para a solar, qualquer um poderia competir, mas hoje é um jogo de empresas grandes. Temos o potencial e capacidade para competir. 

Temos uma vontade estratégica de ser desenvolvedores de projetos. Portanto, desenvolver os projetos nas diferentes fases de desenvolvimento até, eventualmente participar de um leilão. Ou viabilizar um projeto com contratos de mercado livre com grandes consumidores e, a partir daí, construir e operar. 

 O senhor poderia detalhar também como a empresa está fazendo a expansão de seu time no Brasil?

A empresa vem contratando, nos últimos 12 meses, diversos profissionais de companhias relevantes e com experiência. Estamos criando um time bem competitivo. 

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