PESQUISADOR AFIRMA QUE CO2 NÃO INTERFERE NO CLIMA E PREVÊ LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DO PETRÓLEO -


28. jan, 2019

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

luiz-carlos-molionO aquecimento global é um tema que vem moldando a política energética mundial. O dióxido de carbono (CO2) é apontado por um amplo time de cientistas como um dos responsáveis pelo aumento da temperatura no planeta. O CO2, classificado como um dos gases do efeito estufa, é o resultado do processo da queima de combustíveis fósseis. Por isso, há em todo o mundo um movimento para eliminar ou diminuir o uso dessas fontes. Contudo, há especialistas que contestam a relação entre o CO2 e a elevação dos termômetros, como o caso do meteorologista Luiz Carlos Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). “Em determinadas épocas, no início do Cretáceo, por exemplo, tinha 20 vezes mais CO2 no planeta e as temperaturas chegaram a ficar muito baixas. Então, não há relação alguma da temperatura com a concentração de CO2”, afirmou. O pesquisador diz que, de fato, está ocorrendo um aquecimento na Terra, mas que este é “natural” e que nada tem a ver com as emissões dos gases de efeito estufa. O especialista acredita que, apesar da atual campanha pelo aumento das fontes renováveis, o petróleo continuará com um papel de destaque por muito tempo na matriz energética mundial. Molion ressalta, no entanto, que será preciso eliminar compostos químicos nocivos emitidos na queima de combustíveis fósseis, como o enxofre. “Em termos energéticos, o petróleo ainda é uma das maneiras mais práticas de se gerar a energia elétrica”, concluiu.


Gostaria que o senhor apresentasse aos nossos leitores os seus argumentos contra a relação entre o CO2 e o aquecimento global.

O argumento que tenho é, na realidade, olhar o que aconteceu no passado. Temos dados recentes dos últimos 100 anos, razoavelmente confiáveis. E tem ainda os dados chamados paleoclimáticos que utilizam testemunhos climáticos do passado. Neste último século, de 1900 para cá, houve um aquecimento entre 1925 e 1946. No início desse aquecimento, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) tentou atribui-lo à ação humana, mas percebeu que estava caindo no ridículo, porque as concentrações de CO2 eram pequenas. Obviamente, esse período de aquecimento coincidiu com um intervalo em que o sol teve sua máxima atividade nesses últimos 350 anos em que temos dados da atividade solar no Observatório de Zurique, na Suíça. De acordo com dados paleoclimáticos, provavelmente este período foi a maior atividade solar nos últimos 4 mil anos.

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A capa da revista Time de dezembro de 1973, ano de inverno rigoroso nos EUA

Entre 1925 e 1946, foram registradas as temperaturas mais elevadas nos Estados UUnidos. Entre os dez anos mais quentes registrados, 1934 e 1939 ainda têm as temperaturas imbatíveis. Aqui no Brasil, por exemplo, no Nordeste, nós temos muitas estações pluviométricas, que começaram em 1912 e 1913. A pior seca que o centro da Bahia registrou foi em 1938. A década de 1930 teve anos muito anos secos e quentes na Bahia, comparado com os atuais. Depois disso, de 1946 a 1975, na realidade, houve um resfriamento global. E posso lhe dizer que eu vivi isso. Em 1970, eu fui para os Estados Unidos fazer meu doutorado em meteorologia na Universidade de Wisconsin. No inverno de 72/73, eu cheguei a vivenciar temperaturas de -35º. Na época, o que saía na mídia é que estávamos indo para uma nova era glacial. Inclusive foi capa da revista Time de 1973, com o título de “Big Freeze”.

A partir de 1976, houve uma reversão na temperatura das águas do Oceano Pacífico, que começou a se aquecer. Novamente, o clima esquentou. E dez anos depois, em 1988, o Dr. James Hansen, que na época estava na Nasa, deu depoimento perante ao Congresso americano, tentando atribuir aquele aquecimento ao homem, devido aos gases de efeito estufa. A partir de então, foi criado o IPCC e começou toda esta histeria.

O aquecimento global não está acontecendo então?

Eu não digo que não houve o aquecimento. O que eu digo é que há uma oscilação natural baseada nos dados históricos. E que, coincidentemente, todas as vezes em que o Pacífico se esfria ou se aquece, há um resfriamento ou aquecimento da temperatura do ar. Por que as águas do Pacífico variam de temperatura? Nós não sabemos. Aquele oceano tem a chamada Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), que tem um ciclo de aproximadamente 50 ou 60 anos. Ou seja, ele passa 25 ou 30 anos mais quente e depois 25 ou 30 anos mais frio. E 60 anos é um período bem grande na vida de um ser humano. Eu não estou negando que houve um aquecimento nos últimos anos. O que eu digo é que esse aquecimento é natural.

O motivo pelo qual o Pacífico se aquece ainda é desconhecido, mas há coincidências. Por exemplo, o sol nestes últimos 100 anos está mais ativo. Além disso, há os dados de satélite do Projeto Internacional de Climatologia de Nuvens por Satélite (ISSCP, na sigla em inglês). Desde 1983, utilizaram dados de satélite para estimar a cobertura de nuvens. O que foi observado foi que a cobertura global de nuvens diminuiu de 1983 até 1999/2000, quando se chegou a um mínimo. Eu estimei que nesse período, ao reduzir as nuvens, a Terra recebeu 4 W a mais por metro quadrado.

Gráfico mostra queda na cobertura global de nuvens

Gráfico mostra queda na cobertura global de nuvens – Clique para ampliar

As nuvens funcionam como uma espécie de cortina. Se a terra está coberta de nuvens, a radiação bate nelas e volta para o espaço. Quando há mais nuvens, há uma tendência do planeta esfriar. Quando há menos nuvens, entra mais radiação, os oceanos aquecem e a temperatura sobe. De 1983 até 2000, houve um decréscimo de 5% na cobertura global de nuvens, medido por satélite. De tal forma que estimei que entrou 4 W por metro quadrado a mais. E estamos falando de um planeta cuja superfície é de 510 milhões de km². A quantidade de energia que entrou neste período foi suficiente para aquecer os oceanos, que por sua vez aqueceram a atmosfera.

A atmosfera, na realidade, é aquecida por baixo. É a superfície terrestre mais aquecida que conduz calor para o ar. Como o planeta tem 71% de sua superfície coberta por água, fica muito claro que a temperatura da superfície dos oceanos que aquece, basicamente, a atmosfera.

Qual o nível de importância dos oceanos no controle do clima?

Os oceanos são o principal controlador do clima, uma vez que a atmosfera é aquecida por baixo. Dessa forma, qualquer coisa que interfire na temperatura dos oceanos, certamente muda o clima. E a cobertura de nuvens é um dos elementos atmosféricos que pode interferir na entrada de radiação no planeta, contribuindo para alterar a temperatura dos oceanos. Nós não temos ideia da quantidade de fontes geotérmicas – que saem do interior da terra em contato com as águas mais profundas. Não temos ideia de quanto seria essa contribuição. A nossa ignorância é muito grande nisso. Mas considerando os fatores que mudam a temperatura da superfície dos oceanos, certamente a cobertura de nuvens é um elemento básico para controlar a entrada de radiação. Então, reforçando, não disse que jamais houve um aquecimento nesses últimos anos, de 1976 para cá. A minha divergência é que esse aquecimento não tem nada a ver com a concentração de CO2 emitido pelo homem. Esse aquecimento foi natural.

E em relação à atividade do sol, que o senhor mencionou anteriormente… como está a atividade dele agora?

O sol deve entrar em um mínimo de atividade a partir do final deste ano e início de 2020. É o chamado mínimo do ciclo de Gleissberg, que ocorre aproximadamente a cada 100 anos. Ele foi registrado no final do século 18 e início do século 19. Também foi verificado o final do século 19 e início do século 20. E agora, os físicos solares afirmam que deve entrar nesse mínimo. Como o sol é a fonte básica de energia para tudo que ocorre no planeta, com esse período de baixa atividade haverá uma influência no clima do planeta. Só que essa influência não é direta.

Não temos ideia de quantos watts por metro quadrado serão reduzidos no fluxo de radiação. A última vez que isso aconteceu foi há 100 anos, e não estávamos equipados para isso. Hoje, teremos a grande oportunidade de observar o comportamento dos seres vivos e do clima, em função desse mínimo solar. O efeito parece não ser direto. Os mínimos solares secundários que ocorreram mostram uma variação de 0,1% e 0,2% na entrada da radiação solar, o que não seria tão crítico.

Ocorre que o efeito indireto é que o sol tem um campo magnético muito forte. E este campo magnético protege todos os planetas de serem bombardeados por partículas de alta energia, chamadas de raios cósmicos galácticos, que provém da explosão de estrelas supernovas. Uma vez que a atividade solar diminui, o campo magnético solar enfraquece e o planeta Terra deixa de ser parcialmente protegido. Um campo solar magnético mais fraco vai permitir uma entrada maior de partículas de alta energia na atmosfera.

Isso já foi demonstrado?

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Maior ou menor atividade do sol influencia na variação de temperatura da Terra, explica Molion

Em laboratório, foi demonstrado que estas partículas funcionam como núcleos de condensação, contribuindo para aumentar a cobertura de nuvens. Desde 2000, há uma tendência no aumento da cobertura de nuvens. Com isso, a tendência para os próximos 10 anos, enquanto o sol se manter nesse mínimo secular, é de resfriamento do planeta. Porque há a possibilidade de maior cobertura de nuvens, com consequente diminuição da entrada de radiação solar, resfriamento dos oceanos, que por sua vez vão resfriar a atmosfera. Há uma repetitividade no clima: períodos em que há resfriamentos contrastando com períodos em que há aquecimentos. Este aquecimento que estamos vivendo agora, provavelmente já parou por volta de 2005 e já começou um período de resfriamento. Pelo menos, os satélites mostram que, nos últimos 20 anos, a temperatura do planeta tem se mantido estável, embora a concentração de CO2 tenha aumentado mais de 11%.

Sua argumentação se choca frontalmente com tudo que tem sido feito, em termos energéticos, no planeta. Há uma onda em favor do uso das renováveis para evitar a emissão de CO2.

Quando analisamos a situação dos países europeus, particularmente a Alemanha, que entrou numa onda de energia verde, eles instalaram milhares de turbinas eólicas e painéis solares. Os relatórios atuais mostram que esta tentativa não foi bem sucedida. Tanto que a Alemanha terminou recentemente a construção de 23 termelétricas a carvão. Houve um plebiscito, em função do acidente de Chernobyl. O povo votou para acabar com as poucas centrais nucleares que tinham até 2022. Desde então, se empenhou nas chamadas renováveis – solar fotovoltaica e eólica.

Estima-se que cerca de 14 mil aerogeradores vão perder o subsídio e, com isso, não será mais possível a geração de energia eólica se manter. Ou seja, sem os subsídios, eles não vão conseguir, com a arrecadação da energia vendida, manter as turbinas porque vão ficando velhas, exigindo mais manutenção. Até 2022, a Alemanha deve desativar cerca de 14 mil turbinas das 29 mil existentes. E aos poucos, as turbinas restantes vão ser desativas.

Alemanha investiu pesado na geração termelétrica

Alemanha investiu pesado na geração termelétrica

A energia solar fotovoltaica corresponde só a 6% da matriz energética alemã. Por isso, eles construíram 23 termelétricas a carvão, das quais quatro delas são de um tipo de carvão chamado linhito, que é rico em enxofre. Esse carvão, quando queimado, libera enxofre na atmosfera na forma de dióxiodo de enxofre (SO2), que combina com a umidade atmosférica e forma gotículas de ácido sulfúrico. Quando a população respira isso, certamente terá sua vida encurtada em função do estrago que o ácido sulfúrico faz nos organismos vivos. Além disso, ele provoca chuva ácida, que causa problemas em edificações.

Essas novas termelétricas, somadas, têm 12 GW de potência. A usina de Itaipu tem potência instalada de 14 GW. Só que o rio só roda as turbinas durante 60% do tempo, então podemos esperar de Itaipu uma geração de 8 GW. Então, a Alemanha construiu uma Itaipu e meia de energia despachável. As renováveis dependem de variáveis da natureza que não podem ser controladas pelo homem (chuva, vento e sol). A termelétrica não. As usinas alemãs trabalham com 45% de eficiência.

E no Brasil? Como o país deveria se posicionar?

A energia solar fotovoltaica tem uma baixa eficiência. Os melhores painéis solares têm uma eficiência de 25% a 25° de temperatura. Só aqui no Brasil, um painel exposto ao sol chega a 40°. Acima de 25°, a cada grau, o painel perde 0,5% de eficiência. No Centro-Oeste e no semi-árido nordestino, temos mais de 1000w por metro quadrado de incidência perpendicular. Então, para cada 1000w, o painel só aproveitaria 120w. Ou seja, uma eficiência muito baixa.

Já a CSP (Concentrated Solar Power), pode chegar a uma eficiência de 85% porque o sistema em si não é limitado pela temperatura. No CSP, o fluido aquece, vaporiza a água e este vapor toca a turbina e o gerador. E com o armazenamento de energia solar durante o dia, permite que a usina funcione 24 horas. As CSPs têm vantagens. Primeiro que o mais da metade do Brasil tem a estação chuvosa. Isso eu falo tanto de parte da região Sudeste como todo o Centro-Oeste e semiárido nordestino. Essas áreas têm a estação chuvosa concentrada em seis meses. Então, podemos sim usar hidrelétricas, que é uma fonte renovável sem impacto ambiental. Então, eu acho que a matriz energética brasileira deveria ser de hidrelétrica, associada com esses sistemas de CSP de calha parabólica, que seriam complementares no período seco. Mas certamente vamos depender, e muito, do petróleo. Quem pensa que o petróleo vai desaparecer está muito enganado. O petróleo ainda vai continuar. 

No caso da nuclear, ao invés de usar urânio, o tório poderia ser empregado. A nuclear é, por si só, a forma de gerar energia que ocupa menos espaço. O problema ainda está em como reutilizar o resíduo atômico. Mas há outras formas que estão surgindo agora, ainda em fase de pesquisa. Mas que podem ser pensadas. Não descarto a possibilidade de usar usinas nucleares, mas usando elementos como o tório, por exemplo.

Há também uma forte onda em torno dos veículos movidos a eletricidade. Como analisa isso?

Na visão do meteorologista, carro elétrico melhora questão da poluição nas cidades, mas vai exigir mais produção de energia e gerar mais CO2

Na visão do meteorologista, carro elétrico melhora questão da poluição nas cidades, mas vai exigir mais produção de energia e gerar mais CO2

A questão do carro elétrico é muito boa para reduzir a poluição na cidade. Mas em termos práticos, você só muda o posicionamento da fonte de emissão de CO2. O carro elétrico não emite CO2, mas os países sem muitos recursos hídricos, terão que colocar uma termoelétrica para gerar a energia necessária para os veículos. Então, o carro elétrico resolve apenas parte do problema. Vai diminuir a poluição dos grandes centros urbanos. Segundo o IBGE, 84% da população brasileira vive em centros urbanos. E no mundo, 75% da população vive na cidade. Então, é claro que é importante ter um ambiente urbano saudável para os cidadãos. Mas a emissão de gás carbônico será maior.

Porém, segundo o senhor, essa emissão de CO2 não tem impacto no aquecimento global, certo?

O CO2 não controla a temperatura global. Ele é um gás que é de extrema importância na fotossíntese. Quanto mais CO2 na atmosfera, mais eficiente será a fotossíntese das plantas. Existem mais de 1500 relatórios publicados com experimentos que comprovam plantas crescendo numa atmosfera com o triplo de CO2 que temos hoje. Eles mostraram também que nestes casos, o desenvolvimento da planta é muito mais rápido e a sua produtividade pode aumentar de 40% a 100%, dependendo da espécie. O CO2 é extremamente importante no que se refere à fotossíntese.

Algumas estimativas diziam que até 2050 teríamos 9 bilhões de habitantes. Mas como a China alterou a legislação de controle da natalidade, com cada casal podendo ter dois filhos, certamente aquele 1,5 bilhão de chineses vão se reproduzir a uma taxa bem maior. Então, eu creio que devemos chegar a 9 bilhões de habitantes por volta de 2040. Haverá necessidade de produzir alimentos e energia para essa população. O CO2 não é fator limitante para o clima. É muito difícil entender o que está por trás dessa questão da temperatura não poder subir 2°. Isto é besteira e não tem nenhum fundamento científico.

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A Estação Vostok, na Antártida

No passado, por exemplo, os dados de testemunho de gelo da estação de Vostok, na Antártida, mostram que as temperaturas dos três últimos interglaciais (130 mil anos atrás, 240 mil anos atrás e 320 mil anos atrás) podem ter sido seis a dez graus superiores as que nós temos aqui hoje. A temperatura do planeta já esteve bem mais alta, com menos CO2, e vice-versa. Em determinadas épocas, no início do Cretáceo, por exemplo, tinha 20 vezes mais CO2 no planeta e as temperaturas chegaram a ficar muito baixas. Então, não há relação alguma da temperatura do planeta com a concentração de CO2. 

Nestas circunstâncias, não há motivo para deixar de utilizar petróleo e carvão, desde que se cuide para eliminar compostos nocivos, como o enxofre e mercúrio. Sob o ponto de vista de impacto climático, não há razão para deixar de utilizar petróleo e carvão mineral. Sob o ponto de vista ambiental, temos que tirar dessas emissões os compostos químicos que são prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. É possível fazer isso? Sim. Mas custa mais caro.

Um combustível S-500, por exemplo, tem 500 mg de enxofre por quilo de diesel. Já o S-10 tem 10 mg por quilo de diesel. Então, o segundo tem um impacto ambiental menor do que o primeiro. Mas custa mais caro produzir o S-10, porque ele precisa ser refinado mais vezes. É importante que se retire esses compostos, porque em termos energéticos, o petróleo ainda é uma das maneiras mais práticas de se gerar a energia elétrica.

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