Fabricante da Paçoquita revisa operações externas para se concentrar no Mercosul -


Para ter sucesso nos negócios fora do País, a empresa paulista Santa Helena Alimentos tem apostado em uma estratégia que, em princípio, pode parecer contraditória. O caminho encontrado para fortalecer as operações de comércio exterior foi reduzir o número de mercados de exportação, mantendo, assim, o foco em países nos quais pudesse competir.

Com isso, há quatro anos, a empresa processadora de amendoim que já esteve em mais de 40 países começou a enxugar as operações na Europa em função de diversas exigências impostas ao setor alimentício.

“Fora do Mercosul, temos muitas dificuldades. Praticamente paramos de mandar produtos para a Europa em consequência de obstáculos técnicos”, comenta o diretor comercial da Santa Helena, Luis Bertella. “Como o nosso produto vem do agronegócio, a União Europeia exigiu um órgão no Brasil para receber os alimentos. Contudo, o Ministério da Agricultura e a Anvisa não se conversam. Com isso, perdemos várias cargas na tentativa de chegar ao mercado europeu”, completa.


Barreiras comerciais na Europa e dificuldades para competir nos Estados Unidos fizeram a fabricante do doce Paçoquita e do amendoim japonês Mendorato se concentrar na América do Sul, continente que recebe mais de 75% das exportações da empresa cujas instalações ficam nas cidades de Dumont e Ribeirão Preto, ambas no interior paulista – 40,7% têm como destino o Mercosul, enquanto 36,9% seguem para os países andinos (principalmente Chile e Colômbia).

O grande caso de sucesso da empresa é o Uruguai, país em que atua desde 2004. “O Uruguai é um país mais aberto e tem a característica de importar muitos produtos. Temos um mercado praticamente consolidado das nossas marcas lá”, conta Bertella.

O diretor comercial da Santa Helena ressalta que a decisão de reduzir as operações externas levou em conta o potencial do mercado interno brasileiro e o objetivo de tornar as exportações mais eficientes.

“Uma questão complicada no setor de alimentos são os selos [que atestam qualidade]. O Uruguai adotou o selo do Chile, mas na Argentina é outro selo. Ou seja, não há consenso dentro do próprio Mercosul. É uma questão técnica que impacta o processo produtivo e gera custo”, pontua.


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