Parece um sonho… Ou: Já posso chamar de mito! -


Imagine um economista liberal clássico de primeira, com doutorado pela Universidade de Chicago e ampla experiência no mercado financeiro, concentrando poderes por meio do Ministério da Fazenda para liderar uma pauta reformista radical. Eu pensaria logo em Paulo Guedes, que seria a minha primeira escolha.

Pense ainda num empresário que está entre os melhores do Brasil, ou melhor, do mundo, que construiu do zero uma empresa bilionária, competindo com gigantes internacionais, e que além dessa excelência incontestável como empreendedor ainda tem a consciência cívica e a noção intelectual da importância de ajudar movimentos liberais pelo país todo, assumindo uma nova Secretaria de Privatização. Claro que o nome de Salim Mattar é o primeiro que vem à mente.


Agora imagine um intelectual parrudo e liberal, com amplo conhecimento sobre o patrimonialismo nacional, crítico voraz do comunista Paulo Freire e de Gramsci, com um currículo acadêmico invejável, para assumir o Ministério da Educação. Eu indicaria, se pudesse, Ricardo Velez Rodriguez, que já lançou livros pelo Instituto Liberal e com quem já estive em colóquios do Liberty Fund.

No âmbito das relações exteriores, que tal sonhar com algum diplomata que entenda perfeitamente a guerra cultural em curso, o contexto do marxismo moderno destruindo a civilização ocidental, e que esteja disposto a comprar essa briga ideológica? O nome de Ernesto Araújo pipoca na mente.

E para presidir estatais? Que tal um brilhante economista que atua no mercado financeiro há anos com vasta experiência em privatizações para comandar a Caixa? Eu indicaria Pedro Guimarães, que estruturou a compra do Banespa. E para assumir o Banco do Brasil? Eu ficaria confortável em apontar meu amigo Rubem Novaes, liberal clássico e pragmático, também doutor por Chicago, e ligado ao Instituto Liberal do qual sou presidente do Conselho. Como Secretário do Tesouro eu manteria Mansueto Almeida. E por aí vai…

O que quero dizer, caro leitor, é que apoiei a candidatura de Bolsonaro tardiamente, mas ainda no primeiro turno, e que sempre mantive um saudável ceticismo em relação a esta sua guinada rumo ao liberalismo. Queríamos provas de que ele iria mesmo “casar” com Paulo Guedes. Pois bem: as provas estão aí! É Guedes o futuro todo-poderoso ministro, e é Guedes quem está montando essa equipe de primeira, dos sonhos, um “dream team”.

Sei de muitos liberais que ainda andam bastante desconfiados, achando mais críticas do que elogios, pois no fundo não gostam de Bolsonaro e ponto. Mas é preciso ser justo aqui. O cara está arrasando! Suas indicações, ou a aceitação das escolhas de Guedes, demonstram que a agenda de reformas liberais veio para ficar, que Bolsonaro compreendeu mesmo a relevância dessas mudanças para salvar o Brasil.

Resta, claro, o desafio da execução, a articulação com o Congresso, e bancar o custo político da impopularidade que pode surgir pelo gap entre fazer as medidas e colher os resultados. É muita expectativa criada com o “mito”, mas os efeitos das mudanças levam algum tempo. A impaciência de um público ávido por mudanças e muito esperançoso pode produzir algum ruído no caminho.

Dito isso, se Bolsonaro realmente seguir em frente apostando nessa agenda liberal, endossando as escolhas de Paulo Guedes e colocando nomes brilhantes em cargos importantes, ele poderá deixar como legado um novo Brasil, muito melhor. Como já disse em outras ocasiões, ele poderá se tornar um estadista até. O sujeito nem assumiu e já é, de longe, o melhor presidente que o Brasil já teve!

Deixo o orgulho para trás, sei das críticas que fiz, e foram com intenções construtivas, e pergunto: já posso chamar o homem de mito também?

Rodrigo Constantino

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