Vale prevê desempenho melhor em metais primários a partir de 2020 -


RIO  –  O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou nesta quinta-feira que a companhia espera que o setor de metais base (base metals) dê um salto na contribuição para o desempenho da companhia a partir de 2020. Em teleconferência com analistas sobre o resultado do terceiro trimestre deste ano, o executivo disse que há “cortes conscientes na produção” nos anos de 2017, 2018 e 2019 e um “cenário de preços baixos” no segmento, enquanto a companhia trabalha na reorganização e no aumento da eficiência.

Schvartsman espera um “salto expressivo” em 2020 nos resultados dos metais base, pela provável recuperação de preços e redução de custos. “A Vale está se preparando para 2020, quando base metals vai contribuir com resultados adicionais para a companhia”, afirmou. 

Nova Caledônia


Dentro da reestruturação do negócio de metais básicos, a Vale está fazendo um esforço para manter a Vale Nova Caledônia (VNC) no do portfólio da companhia, disse Schvartsman. 

A VNC é uma produtora de níquel no protetorado francês homônimo, na Polinésia francesa. A Vale vem buscando alternativas para vender uma fatia da empresa para um sócio, mas por enquanto não há decisão tomada.

É possível que a Vale possa anunciar alguma novidade em relação à VNC, em dezembro, no encontro com investidores em Nova York. Nos últimos anos, a VNC tem dado perdas consecutivas para a Vale.

Samarco

A respeito da Samarco, o presidente da Vale afirmou que o otimismo sobre a volta da Samarco à operação em 2020 se explica pelos acordos e licenças obtidos recentemente. 

Segundo ele, os acionistas da Samarco – Vale e BHP Billiton – não têm disputas dentro da companhia e o conselho de administração aprovou o início das obras da barragem de Alegria Sul, que vai permitir a retomada das atividades da companhia. A aprovação do conselho aconteceu depois da obtenção da licença para a construção da barragem.

“Hoje temos terreno conhecido na Samarco”, disse Schvartsman. “Teremos até o fim do ano as condições físicas geradas para pleitear a licença de operação que, se conseguida, permite a volta das operações em 2020”, frisou.

Dívida

Nas teleconferência, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, afirmou que a companhia não tem o objetivo de reduzir o patamar da dívida líquida abaixo dos US$ 10 bilhões. 

No balanço, a Vale anunciou que a dívida líquida da empresa encerrou o terceiro trimestre em US$ 10,7 bilhões, abaixo do patamar de US$ 11,5 bilhões do fim do segundo trimestre.

Preço

A Vale também trataou do preço do minério. A alta recente no mercado à vista da China, segundo a companhia, é explicada por três fatores. Schvartsman citou a demanda chinesa mais forte que o previsto; os estímulos chineses para infraestrutura e o fato de que concorrentes da mineradora brasileira estão mudando o “mix” de produtos para formação do preço de referência do mercado, oferecendo produtos de maior qualidade.

O preço do minério com 62% de teor de ferro situou-se na quarta-feira em US$ 76,40 por tonelada. No terceiro trimestre, o minério de ferro de referência, com 62% de teor de ferro, ficou em US$ 66,7 por tonelada e, pela primeira vez, o preço realizado pela Vale alcançou, no período, em US$ 67 por tonelada. A Vale nunca havia atingido, antes, 100% do preço de referência da agência Platts.

Em relação aos preços de referência, a Vale recebe ainda prêmios, adicionais por qualidade. Entre julho e setembro, esse prêmio foi de US$ 11 por tonelada. Somente um produto específico de minério fino da Vale produzido em Carajás, no Pará, com 65% de teor de ferro, atingiu novo recorde, e situava-se ontem em US$ 98,02 por tonelada.

A Vale usa os minérios de qualidade, com alto teor de ferro e baixos índices de contaminantes, para fazer “blends”. A política de blendagem e a demanda por produtos de qualidade fez a mineradora cortar a produção, nos últimos anos, de produtos de menor qualidade (menor teor de ferro e altos contaminantes).

Para a mineradora, o objetivo central é que os preços realizados no minério de ferro sejam cada vez maiores, pois é a partir dessa realização que a empresa garante geração de caixa, Ebitdas (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amotização, na sigla em inglês) e robustos e, por consequência, consegue garantir resultados que assegurem o pagamento de dividendos aos acionistas.

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