Para Haddad, Bolsonaro vem do porão da ditadura -


RIO  –  (Atualizada às 13h18) O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), disse que seu oponente Jair Bolsonaro (PSL) vem do “porão da ditadura”. Segundo ele, o país está diante de um “bárbaro”, do ponto de vista democrático. “Como cientista político, tenho direito de dizer que ele [Bolsonaro] tem como vice um torturador [general Hamilton Mourão] e como ídolo um torturador [tenente-coronel Brilhante Ustra]. Para mim, isso é fascismo”, sustentou durante sabatina nesta terça-feira promovida pelos jornais “O Globo”, Valor e “Extra” e pela revista “Época”.

Para Haddad, a a vitória de seu adversário é um risco à democracia, com a possibilidade de instauração de uma ditadura, pelas “pessoas que estão por trás” do deputado federal. “Geraldo Azevedo, num show [no sábado], falou que foi torturado pelo Mourão. Não estou acusando”, ele disse. Em qualquer lugar do mundo esse depoimento seria manchete de jornal, fariam isso em nome do país, da nação, dos valores, da liberdade”, afirmou. 

O presidenciável disse que os rumores sobre a possibilidades de golpe circulam menos na Aeronáutica e na Marinha, mas fazem parte das cogitações de “uma minoria do Exército”. “A gente sabe do burburinho, não sabe o tamanho. Mas para que correr o risco? É difícil estimar, mas que existe, existe a movimentação.”


Haddad lembrou da fala de Bolsonaro, no fim de semana, de extirpar opositores e disse se sentir ameaçado, assim como sua família. “Mas são tantas as vidas que estão em jogo, que assumo o risco. Por trás do Bolsonaro tem pessoas que não tem nenhum compromisso, zero, com a democracia. Estou falando que o vice dele é um torturador. O medo é o que sai do porão, o Mourão, a turma pesada, que está por trás. Não é qualquer pessoa. O Bolsonaro, ele mesmo é um soldadinho de araque”, disse.

Sobre a presença de integrantes das Forças Armadas, da ativa ou da reserva, na equipe do adversário Jair Bolsonaro (PSL), capitão reformado do Exército, Haddad disse ver isso com muita preocupação. “Não precisamos ser tutelados pelos militares”, sustentou.

“Vejo com muita preocupação. Em cem anos de República, fomos a maior parte do tempo tutelados por militares, eleitos ou não, como Marechal Deodoro, Hermes da Fonseca, Lott, tenentismo Dutra. Achei que em 1988 tinha se resolvido. O poder civil se colocou e resolve suas angústias como aprendemos na democracia”, observou.

Para Haddad, Bolsonaro é um projeto de poder fruto da união de um “neoliberalismo desalmado, do Paulo Guedes (economista apontado por Bolsonaro como futuro ministro da Fazenda caso se eleja) com um “fundamentalismo associado à figura de Edir Macedo”, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record.

“É um absurdo usar concessão [de TV], que é um bem público, e o púlpito das igrejas a serviço de uma candidatura. Nunca aconteceu isso, não tem precedente”, afirmou.

Erro?

Ao ser perguntado se considerava que o PT havia cometido um erro de avaliação ao insistir na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR), Haddad disse que o erro estratégico do partido foi não contar que Bolsonaro fosse recorrer ao que ele chamou de “submundo com financiamento do novo caixa 2”. “Contávamos que o impulsionamento de campanha pela internet fosse ter um papel relevante, isso é legal. Mas o que aconteceu é que eles estão driblando a legislação sobre o caixa 2 e criando um novo caminho para o caixa 2”, afirmou.

Haddad comparou o fortalecimento de seu concorrente como um fenômeno equivalente à “queda de um avião”. “Foi a pista, o piloto? Muita coisa explica o Bolsonaro.” Ele também acredita que as ‘fake news’ estão fazendo “toda a diferença” nestas eleições.

O candidato à Presidência disse que, ao fim das votações no segundo turno, no próximo domingo, Bolsonaro deveria se desculpar pelas ofensas a sua pessoa. “Ele me ofendeu tanto de voz própria que acho que deveria ter generosidade de se desculpar”, afirmou Haddad.

Caso WhatsApp

Para Haddad, é “difícil de acreditar” que o empresário Luciano Hang, dono da loja Havan, não comprou pacotes de disparos de mensagens contra o PT no WhatsApp, para beneficiar a campanha de Jair Bolsonaro (PSL).

“Fizeram uma reunião em que Bolsonaro teria pedido apoio dos empresários nas redes sociais. Ficou meio cifrado. Como assim fazer jantar para pedir apoio nas redes? O dono da Havan por acaso é um popstar [para contribuir com sua própria influência]? Convenhamos: quem vai acreditar numa coisa dessas? Ele pediu apoio financeiro e não contabilizou esse apoio”, disse.

O petista questionou o posicionamento dos integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que, a poucos dias do segundo turno das eleições, “não é hora de criar marola” sobre as repercussões envolvendo as denúncias de suposta compra do pacote de disparos de mensagens no Whatsapp contra o PT.

“Mais marola do que se criou nesse país nos últimos quatro anos? Mas agora não se pode criar marola porque é o Bolsonaro que representa o establishment?”, questionou.

Imprensa e Judiciário

O candidato do PT avalia que, em um eventual governo Bolsonaro, a imprensa e o Judiciário não terão o mesmo grau de liberdade de hoje.

“É muito triste, pelas pessoas. [Num eventual governo Bolsonaro] as pessoas vão sofrer, os jornalista vão sofrer. Os jornalistas não vão ter a liberdade que vocês têm hoje. O Judiciário não terá”, disse.

Facada

Ao comentar sobre o atentado contra Bolsonaro, em setembro, Haddad considerou o episódio como “absurdo” e “horroroso”. “É triste dizer algo como isso, mas o fato é que ele subiu 10 pontos percentuais [nas pesquisas de intenção de votos do primeiro turno] em uma semana”, disse.

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