O esquerdismo como refúgio dos perdedores -


No meu artigo sobre o filme “Venom”, da Marvel, constatei que muitas vezes o esquerdismo é uma espécie de válvula de escape para todo tipo de perdedor, para aquele que não conseguiu, de alguma forma, controlar seus instintos tribais, construir uma vida saudável e feliz, manter uma família decente e um bom emprego. Pretendo agora desenvolver um pouco mais o raciocínio com alguns exemplos.

Imagine o típico esquerdista romântico, metido a intelectual culto, refinado, quase um “gentleman”. Com tal postura, ele se sente superior a muita gente, aos “broncos endinheirados”, que tiveram sucesso profissional, mas não demonstram a mesma cultura. No fundo, um traço do ressentimento que assola esse tipo de gente. O “intelectual” é um prato cheio para esquerdistas: é uma forma de ele aplacar sua angústia diante dos ricos.


Conheço uns tipos assim, fracassados profissionalmente, que despejam seu rancor no “mercado”, preferindo alimentar uma narrativa de que o mundo é injusto, que o “sistema” não é exatamente meritocrático, em vez de procurar entender onde foi que errou e como poderia se reerguer. Lá está o esquerdismo como fuga para seus próprios fracassos.

E é ainda pior quando esses fracassos não são apenas financeiros. Quando o casamento é um engodo, um poço de infelicidade e lamentações, e só não terminou por falta de coragem de um dos dois, qualquer vestígio de felicidade genuína em outro casal desperta revolta interior. O marido que trai e perdeu o respeito pela esposa, a esposa infeliz que se sente aprisionada numa masmorra, essas coisas podem produzir um sentimento de inveja, que transborda para um esquerdismo feminista que passa a detonar a própria instituição da família e do casamento.

Quando os filhos dão errado, eis outro fator que costuma levar muita gente ao esquerdismo. Filhos perdidos, drogados, sem estrutura familiar, sem valores morais decentes, enquanto os filhos dos vizinhos se mostram centrados, trabalhadores, corretos e com uma vida digna, normal: os pais dos primeiros deixam a fúria cozinhar um sentimento de revolta contra a vida, e lá está a necessidade de fuga, seja pelo niilismo, seja pelo relativismo: ninguém é melhor do que ninguém!

Para educar direito os filhos, é preciso agir como um verdadeiro pai, firme, resoluto, com a energia necessária para efetivamente impor limites. Mas o pai que quer “ser amado” acima de tudo costuma sempre passar panos quentes nos problemas, enxergar a realidade de forma distorcida, dourar a pílula. Aí, quando os filhos saem dos trilhos e se perdem na vida, resta bancar a vítima, acusar a vida de injusta e acreditar que tudo foi mero acaso, eximindo-se de qualquer responsabilidade pelo fracasso da prole.

O raio, quando cai várias vezes no mesmo lugar, foi por acaso? O esquerdista escolhe acreditar que sim. Ele encara seu fracasso profissional ou familiar como fruto do azar. Ele não seria um esquerdista se não pensasse assim. Coloca-se como vítima, nunca como agente responsável. Adora Rousseau, isso sim, não por acaso: o filósofo da vaidade, que amava a Humanidade como abstração, abandonou todos os filhos e depois foi ensinar ao mundo como educar crianças.

Um conservador prioriza a família, o entorno, o casamento e os filhos. Sabe que a melhor contribuição que pode dar ao mundo é formar bons filhos, independentes e responsáveis, com freios e limites, civilizados. Um esquerdista romântico flerta com teses abstratas, fala muito em “justiça social”, e prefere bancar a vítima enquanto sua própria família desmorona ao seu lado. Um esquerdista desses jamais vai compreender essa mensagem de Jonah Goldberg em The Suicide of the West:

Famílias saudáveis ​​e que funcionam bem são a fonte primária do sucesso social. Famílias pouco saudáveis ​​e disfuncionais são a principal causa do declínio da sociedade. A família é a instituição que nos converte dos bárbaros naturais em, com esperança, cidadãos decentes. É a família que literalmente nos civiliza. Antes de nascermos em uma comunidade, uma fé, uma classe ou uma nação, nascemos em uma família, e como essa família nos forma determina em grande parte quem somos.

O esquerdista prefere salvar sua vaidade a salvar a própria família. E depois fica repetindo como o mundo é injusto e como precisamos do estado para cuidar dos que ficaram para trás, enquanto destila veneno contra os bem-sucedidos, tanto financeiramente como do ponto de vista familiar. O esquerdismo é o refúgio de todo perdedor, incapaz de olhar no espelho para encontrar o verdadeiro culpado por sua desgraça auto-infligida. É a capela dos losers!

Rodrigo Constantino

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