No Twitter,Bolsonaro e filhos ignoram denúncia de financiamento ilegal -


BRASÍLIA  –  (Atualizada às 12h35) O candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, e seus filhos políticos ignoraram nesta quinta-feira a denúncia de financiamento ilegal de campanha feita pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Segundo a reportagem, empresas pagam R$ 12 milhões para disparos em massa de mensagens de WhatsApp a favor do capitão reformado do Exército.

No Twitter do próprio candidato, ele e filhos abordam temas como pesquisas de intenção de voto e creditam pichações nazistas com suásticas a “esquerdistas”, entre outros temas. Mas nada comentam diretamente sobre o teor das denúncias publicadas pelo jornal.

Nos posts em seus perfis, eles se defendem de supostamente estarem sendo alvo de conspirações para desmoralizar o candidato do PSL. “A foice de SP junto com a petralhada não se cansa de contar meias verdades ou mentiras descontextualizadas”, comentou Carlos Bolsonaro em seu perfil no Twitter, num trocadilho com o nome do jornal.


Também político, o filho do candidato postou fotos de seu pai enquanto ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Em um dos registros, Bolsonaro aparece com tórax e a cicatriz da operação expostos.

Por sua vez, a equipe jurídica do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) minimizou nesta quinta-feira a informação de que empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

Segundo o advogado Tiago Ayres, não há como relacionar o fato à campanha. Para ele, a reportagem da Folha não apresenta detalhes da denúncia.

“Não há individualização de qualquer tipo de fato, de modo que a gente não tem nem o que dizer em relação a isso”, disse.

Para ele, a reportagem não apresentou “elementos minimamente indiciáveis”, que poderiam levar à responsabilização dos envolvidos.

Tiago Ayres diz que os apoios à candidatura de Bolsonaro são espontâneos e a campanha não se responsabiliza pelos atos dos seus eleitores.

“Esta é uma campanha muito diferente. Não é razoável que qualquer manifestação, ele [Bolsonaro] tem que ter responsabilidade. Teria que ter muito dinheiro para vigiar [a conduta de todos os apoiadores]”, disse.

Segundo a reportagem, empresas como a Havan, cujo dono Luciano Hang apoia publicamente Bolsonaro, estão comprando um serviço chamado “disparo em massa”, usando a base de usuários do próprio candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital.

A prática é ilegal por dois motivos: primeiro, porque se trata de doação de campanha por empresas, proibida pela Justiça Eleitoral. Segundo, porque a legislação também proíbe a compra de base de terceiros, só permitindo o uso das listas de apoiadores do próprio candidato – com números cedidos de forma voluntária.

Ainda nesta quinta-feira, em entrevista ao vivo à Rádio Tupi, do Rio, o candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, disse que as denúncias são muito graves e devem ser alvo de investigação, com posterior investigação da Justiça.

“Isso mostra que o Bolsonaro criou uma organização criminosa com empresários para disseminar mentiras sobre mim. Já tem nome de empresários, de empresas”, disse.

“A campanha dele é a mais rica do país e com dinheiro sujo. Isso é um desrespeito; ele nunca respeitou a democracia. Fazer conluio com dinheiro sujo para violar as eleições é crime”, afirmou o candidato petista.

Leia mais: https://www.valor.com.br/politica/5934559/no-twitterbolsonaro-e-filhos-ignoram-denuncia-de-financiamento-ilegal


Leia Também:

Anterior:

Próxima: