Juros futuros mantêm queda à espera do “governo Bolsonaro” -


SÃO PAULO  –  O mercado de juros futuros mantém o movimento de queda nesta quarta-feira (17), com os investidores dando o benefício da dúvida para o que pode ser o governo de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da república pelo PSL, e já operam com a certeza de que, ao ser eleito, o presidenciável fará as reformas esperadas. Com isso, ignorou-se os movimentos negativos dos mercados globais. 

O DI janeiro/2025, por exemplo, fechou o pregão regular cotado a 10%, abaixo do ajuste anterior de 10,18%. O movimento também segue a queda do dólar, que já está abaixo dos R$ 3,70

“O mercado não opera mais corrida eleitoral, mas quase que exclusivamente o governo Bolsonaro e as pessoas que podem ser envolvidas. O mercado sabe que a essência dele não é liberal, mas ele está se cercando de pessoas com esse viés em seu possível governo e isto está sendo visto de maneira muito positiva”, afirma uma fonte que preferiu não ser identificada. 


De acordo com o interlocutor, essas movimentações têm mais peso para o investidor do que as próprias afirmações do candidato em campanha. Na terça (16), em entrevista ao SBT, o presidenciável do PSL disse defender uma reforma da Previdência diferente da que foi proposta pelo presidente Michel Temer ao afirmar que esta seria dificilmente aprovada. Ele rafirmou que não pode penalizar quem já tem direito adquirido. “O próprio servidor público já sofreu duas reformas previdenciárias. Podemos mexer, sim, mas ninguém será penalizado”, disse. 

Questionado sobre o sistema previdenciário dos militares, Bolsonaro afirmou que pode propor “alguma mudança”, mas argumentou que os militares não têm “hora extra, fundo de garantia, direito a greve, repouso remunerado” e, por isso, não poderiam ser igualados a quem tem direitos diferentes. 

Questões técnicas também contribuem para a contínua melhora nas taxas. Embora os investidores ainda não estejam montando estratégias otimistas, o desmanche de apostas negativas tem continuidade e acaba puxando para baixo os contratos de juros futuros. Mas o movimento pode estar perto do fim.

“O mercado local continua bastante resiliente. Me parece que os investidores estão testando em qual nível seria o piso sem um novo gatilho para a melhora dos mercados”, disse um operador, que preferiu não ser identificado.

Ao fim do pregão regular, o DI janeiro/2020 terminou com taxa de 7,50% (de 7,5% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 anotou taxa de 8,41% (de 8,45% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 fechou a 10,00% (de 10,18% no ajuste anterior). 

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