Postura da esquerda americana diante de indicado para a Suprema Corte remete ao PSOL -


Tem muita gente iludida que repete que não existe esquerda nos Estados Unidos. Não só existe como está cada vez mais radical, parecendo-se muito com o PSOL brasileiro. A reação dos democratas à indicação de Trump para o substituto de Anthony Kennedy na Suprema Corte comprova isso. Bret Kavanaugh tem sido alvo de todo tipo de ataque e artimanha para ser vetado ao cargo, apesar de seu evidente preparo técnico.

A razão, claro, é ideológica, mas a esquerda tem usado as artimanhas mais pérfidas nesse jogo. Já disseram que precisam de mais tempo para ler tudo que ele escreveu na vida, milhares e milhares de páginas. Fizeram protestos infantis e desrespeitosos durante sua sabatina. E agora conseguiram uma mulher qualquer que o acusou de assédio sexual décadas atrás, quando eram adolescentes!


Na equipe de advogados no caso, nomes de respeito, que custam uma fortuna. Sei que no Brasil, dias antes da eleição, esse tema pode parecer irrelevante, mas aqui nos Estados Unidos não se fala de outra coisa. Nem vem ao caso entrar nos detalhes da acusação, tirada da cartola num momento bastante adequado para a esquerda. O ponto principal é mostrar como a esquerda americana está disposta a jogar cada vez mais pesado para impor sua visão de mundo.

O editorial do GLOBO de hoje não esconde o que está na essência dos ataques ao indicado de Trump: o medo de que a Suprema Corte se torne mais “conservadora”, ou seja, mais apegada ao que está escrito na Carga Magna, em vez de se mostrar “progressista” e buscar legislar de acordo com o Zeitgeist moderno. Ironicamente, o jornal diz que o novo juiz teria que ser de centro e respeitar a constituição, sendo que no fundo deseja um “progressista” que queira reescrever a constituição. Diz o editorial:

Enquanto as acusações de assédio sexual contra Brett Cavanaugh colocam sob escrutínio a lisura ética do juiz indicado por Donald Trump para a Suprema Corte, permanece como ponto igualmente sensível o impacto de seu perfil ideológico na composição dos ministros do mais alto tribunal dos EUA. Desde que o Congresso americano determinou em nove o número de ministros da Suprema Corte, em 1869, sua composição foi pensada de forma a manter um equilíbrio entre conservadores e progressistas, por meio do voto flutuante, o chamado swing vote, isto é, que não se prende a orientações partidárias.

Considerado ultraconservador, Cavanaugh ocupará a cadeira de Anthony Kennedy, como voto flutuante, e embora possua as qualificações necessárias para atuar na Suprema Corte, há dúvidas sobre sua capacidade de exercer o voto de forma isenta, tendo como premissa, sobretudo, o respeito à Constituição, da qual o tribunal é guardião. Seu histórico de 12 anos como juiz do Tribunal de Recursos revela um magistrado que não pode ser classificado como de centro, uma das precondições para um voto não ideológico.

Numa era em que questões de ordem moral, social, política, cultural, econômica e tecnológica exigem um constante exame da Constituição, têm sido cada vez mais frequentes consultas aos ministros da Suprema Corte. Além disso, os dias são de polarizações e radicalismos, aumentando o número de decisões divididas e o peso dos votos independentes. Temas controversos envolvendo dilemas raciais, trabalhistas, aborto, legalização da maconha, imigração, porte de armas, casamento entre parceiros do mesmo sexo, entre outros, tendem a ser decididos com importante participação do swing vote.

Confesso ao leitor me divertir sempre que leio o rótulo “ultraconservador” para se referir a pessoas sensatas que desejam somente respeitar a constituição e o caminho legítimo para mudanças nas leis, que é o Congresso. O editorial não esconde o que realmente incomoda na esquerda “progressista”: o fato de que Kavanaugh (com K) não pretende dar uma de Barrosão, e sim uma de efetivo guardião da constituição. E isso é inaceitável, “ideológico” demais. Haja inversão.

Mas o que esperar de quem considera que o nosso STF, quase todo indicado por Lula e Dilma, é um exemplo a ser seguido? Eis o que diz o editorial: “A indicação de juízes pelo Executivo aparentemente traz o risco de aparelhamento. Mas, no Brasil, os ministros do STF apontados por governos do PT demonstraram autonomia nos casos do mensalão e do petrolão”. Vamos ensinar aos americanos como criar uma Suprema Corte isenta! Como fez o PT!!!

Assim realmente complica. Até onde vai o ódio a Trump? Perde-se qualquer capacidade de análise minimamente isenta quando o foco passa a ser detonar o presidente sempre, com viés ideológico, em vez de enxergar os fatos diante dos olhos. Tudo nesse caso do Kavanaugh é absurdo demais, surreal, e expõe uma América cujo império das leis se mostra enfraquecido. A esquerda consegue causar enorme estrago no grito. E com a ajuda da mídia, claro, já que quase todos os jornais aqui seguem essa linha “progressista” do jornal carioca.

Rodrigo Constantino

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