Memória de São Bernardo de Claraval -


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 16-22)

Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é o Bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”. O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, e ama teu próximo como a ti mesmo”.

O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. Que ainda me falta?” Jesus respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.


Celebramos hoje a memória de S. Bernardo de Claraval, cujo estilo apaixonado de escrever e pregar valeu-lhe, já em plena Idade Média, a piedosa alcunha de “Padre da Igreja”, à semelhança daqueles escritores e pregadores dos primeiros séculos do cristianismo que, por sua antiguidade, santidade de vida e ortodoxia, são conhecidos com esse mesmo título honorífico. Por ocasião desta memória litúrgica, a Igreja proclama o Evangelho do jovem rico, um belíssimo compêndio daquilo em que consiste, como vemos pelo testemunho de vida de S. Bernardo, a santidade cristã: ir além do simples preceito — daquele “mínimo” que uma vida limpa e reta nos exige — e entregar-se generosamente às obras de amor e supererrogação, ao seguimento dos conselhos evangélicos, se nem sempre à letra, ao menos em espírito. Pois uma coisa, como deixa claro o Evangelho deste dia, é ser salvo, o que se alcança pela observância da lei divina: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”; outra, muito diferente, é ser perfeito, o que só é possível a quem faz mais do que deve: “Vai, vende tudo o que tens”. Assim foi S. Bernardo, que renunciou às riquezas da família para, como irmão franciscano, seguir a Cristo na mais completa pobreza: “Dá o dinheiro aos pobres”. E tal foi o ardor com que a graça o movia que ele logrou convencer inclusive seus parentes, até então contrários ao seu ingresso na Ordem Franciscana, a se consagrarem ao serviço de Deus: “Terás um tesouro no céu”. Que S. Bernardo de Claraval nos alcance, por sua intercessão, a graça de compreendermos que a santidade está em ir além do mínimo, em estar à disposição, em querer fazer tudo e mais um pouco por amor. Tenhamos, pois, a certeza de que, se procurarmos ser fiéis, não nos há de faltar o alento necessário para, ao contrário daquele jovem rico, darmos passos firmes, decididos e constantes no caminho da perfeição cristã.

Leia mais: http://padrepauloricardo.org/episodios/memoria-de-sao-bernardo-de-claraval-mmxviii


Leia Também:

Anterior:

Próxima: