A solidão e os novos tempos da liderança corporativa -


*Claudia Santos

Vivermos em um mundo cada vez mais conectado, e, apesar disso, é crescente o
número de pessoas que se sentem solitárias e, mesmo tendo diversos contatos
diários, não conseguem estabelecer relações sociais verdadeiras. Esse
paradoxo se reflete nas esferas pessoal e profissional, e pode causar uma
série de prejuízos para a saúde mental e para a produtividade.

Pesquisadores da consultoria americana Gallup já constataram que, quando os
funcionários de uma empresa conseguem estabelecer boas conexões no ambiente
de trabalho, aumentam a autoestima e a eficiência das suas atividades. Do
contrário, quando estão isolados e pouco engajados, eles apresentam maiores
níveis de estresse, ansiedade e insatisfação.


Em muitos casos, os gestores e líderes são os principais afetados por essa
“solidão” no mundo corporativo, já que a ascensão na carreira vem, muitas
vezes, acompanhada de um distanciamento da equipe. Como precisam tomar
decisões estratégicas que nem sempre podem ser compartilhadas, eles acabam
criando uma barreira que impede uma maior aproximação e pode gerar más
interpretações.

Ainda é comum a ideia equivocada de que um líder não pode se aproximar de
seus subordinados. Essa ação pode gerar uma sensação de isolamento e
incompreensão. No entanto, para que uma empresa tenha melhores resultados e
consiga promover o engajamento da equipe, é essencial que o chefe construa
uma boa dinâmica com todos os membros do grupo. Afinal, quando existe uma
relação de admiração e confiança, todos se sentem muito mais à vontade para
expor opiniões, propor novas ideias e contribuir para o crescimento da
companhia.

Por isso, é fundamental que as empresas coloquem o engajamento de seus
funcionários como uma de suas prioridades. Estimular as conexões sociais e a
aproximação entre as equipes é também uma forma de investir no futuro dos
negócios e garantir que todos estejam em sinergia.

Estamos na era das empresas colaborativas, horizontalizadas e menos
hierárquicas, que valorizam uma cultura de cooperação e integração em vez de
estimular a competitividade. Para que elas continuem a crescer, é preciso
fazer uma mudança radical no ambiente de trabalho e investir cada vez mais
em recursos humanos – os principais responsáveis pelo sucesso ou pelo
fracasso de um empreendimento.

*Claudia Santos é especialista em gestão estratégica de pessoas,
palestrante, coach executiva e diretora da Emovere You
(www.emovereyou.com.br).


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