Profissionais destacam a importância de conversar sobre doenças mentais no ambiente de trabalho

Doenças emocionais e segurança no trabalho foram os assuntos abordados durante encontro do Julho Violeta, que faz parte da campanha institucional “Saúde Preventiva: Pratique essa ideia”, promovida pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS). O evento ocorreu na quinta-feira (13/07), no Centro de Eventos da entidade.

Problemas emocionais interferem, e bastante, na vida profissional das pessoas. Porém, na maioria dos casos, os funcionários não conversam abertamente sobre o tema e escondem quando apresentam sintomas de alguma doença mental ou quando estão com problemas familiares, para evitar preconceitos por parte dos colegas de trabalho. Essa atitude, de acordo com o psicanalista Jacques José Zimmermann, é prejudicial ao trabalhador e pode agravar a situação.

– Um forte impeditivo para esses funcionários que estão com problemas mostrarem a sua situação é o preconceito, pois existe o medo de desemprego ou de criar inimizades dentro da empresa. Os gerentes também não estão preparados para gerenciar colaboradores que tenham doenças mentais. Isso acaba criando um círculo vicioso, porque o funcionário não conta que está doente e também não procura ajuda para achar uma solução. A depressão é muito comum – explicou Zimmermann, que também é membro pleno da International Psychoanalytical Association (IPA), e mestre e doutorando (bolsista Capes) pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria pela UFRGS.

Um dos destaques da palestra de Zimmermann foi o caso da norte-americana Madalyn Parker, que enviou e-mail avisando seus colegas de trabalho que ficaria ausente do local por dois dias para cuidar de sua saúde mental. Ela recebeu uma resposta do chefe parabenizando a iniciativa, publicou a história na rede social Facebook e, sem pretenção, está ajudando a divulgar a importância de falar sobre doença mental dentro das organizações.

– Foi uma atitude muito bacana, pois o medo do preconceito é um dos impedimentos para as pessoas pedirem ajuda. Esse caso ajuda a disseminar que é uma doença que pode ser tratada como qualquer outra. Os pacientes precisam enfrentá-la e as empresas necessitam dar liberdade para se debater sobre isso no ambiente corporativo – salientou.

Quem também falou sobre como os problemas emocionais devem ser tratados nas empresas foi o engenheiro de segurança, consultor de empresas e professor do curso de Engenharia de Segurança na Ulbra e na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Jair Carlos Teixeira.

– Os aspectos emocionais no trabalho começaram a chamar atenção há pouco tempo. Os empresários estão se preocupando com as emoções e como o desequilíbrio delas afeta a rotina organizacional. Os gestores devem falar sobre esses assuntos com os funcionários, além de ministrar palestras em função desses fatores. É fundamental que a supervisão tenha contato com seus subordinados para desenvolver a capacidade de perceber as alterações de humor ou quando há algo diferente na vida daquela pessoa – destacou Teixeira.

Com o ciclo de palestras, a AMRIGS tem como objetivo apresentar conteúdos relacionados a questões da atualidade no cotidiano das pessoas. Os eventos devem ocorrer nas segundas quintas-feiras de cada mês. A programação até o final de 2017 conta com os seguintes temas: Agosto Verde, sobre tabagismo; Setembro Amarelo, alertando para os casos de suicídio, além de alcoolismo e crack; Outubro Rosa, sobre o câncer de mama e cirurgia reparadora; encerrando o ano com o Novembro Azul, promovendo debates sobre o câncer de próstata e de pele.




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